Depois de um dia inteiro rodando a cidade, Jota chegou em casa já estava escuro, havia saido já faziam quase 18 hras. Quando acordou e ainda estava de noite. Antes de chegar em seu modesto apartamento de quarto e sala, passa em um pequeno super-mercado 24hras para comprar uma garrafa de uisque vagabundo e uma caixa de achocolatado.
Está tudo da mesma forma que ele deixou horas atrás. Esqueceu de tomar a vitamina C efervecente, que agora já era uma água com algum gosto de laranja. Mas não era hora de parar ainda. Não tinha feito nada o dia todo. Trabalhado só. Nada tinha mudado naquele tempo. Quando fez 15 anos, jurou que todos os dias faria alguma coisa. Escrever, fotografar ou simplesmente pensar em alguma idéia de projeto. E até hoje só lembra dessa promessa quando faz dois meses que não progride. Pensa em fotografar, já está noite mas havia alguns holofotes velhos encostados em algum canto de seu quarto.
Buscou dentro do armário. Acabou encontrando uma caixa de sapatos com muitas fotografias dentro. E como é de cliché, passou a ve-las uma a uma, tentando recordar os velhos tempos. Que nem eram tão velhos assim. Agora sabia o que faria a noite.
Muniu-se no entusiasmo de executar um novo projeto. Cinzeiro, cigarros, isqueiro, achocolatado, uisque, cola e uma pasta com folhas plásticas. Misturou o uisque com o achocolatado. O som, no computador, tocava mp3 a lista; Avulsos. Como, numa daquelas surpriendentes mágicas de cinema, começou a tocar o tema de uma menina, e a foto dela apareceu. Laura.
Tinha cabelos negros e tatuagem. Quem tem tatuagem aos 16 anos? Muito forte a imagem daquela garota. A conheceu num dos corredores do colégio, ele vinha ouvindo musica no walkman e ela era nova. Tinham várias bandas que os dois gostavam. Sentia que aquela menina gostava dele. Mas não fez nada. - Garotice, garotice, garotice... - repetia o personagem desse pequeno conto. Não se conformava, anos mais tarde, ali sentado em recordações percebeu que tinha perdido uma pessoa sensacional. Hoje ela morar há quilometros de distancia. Casada, com dois filhos pequenos. Quem havia pela primeira vez explicado como funciona uma camera, foi Laura.
Repetiu no computador o tema, lembrou de algumas passagens na relação dos dois. Um poucos dias antes de seu casamento, confessou a Jota que tinha sido muito apaixonada por ele. Mas que não era para ter sido mesmo. Ela estava muito feliz. Financeiramente o rapaz não tinha do que reclamar, trabalhava quase todos os dias também, e não tinha tempo para casar, ter filhos, ver fantastico abraçadinho comendo pochoclos.
Até sua mãe tentou intervir por ela, na história. Jota nunca se perdoou, para tentar estar um pouco mais em paz, com sua coenciencia pertubada fez o mural de fotos, o projeto novo. A várias fotos dela entraram, a maioria que ela tinha tirado, eram lindas imagens e ninguém poderia saber o quanto representavam. Aquele sentimento, de saudades de um tempo não vivido foi exposto em cada foto que colocava.
O sol amanhecia quando acabou. Pendurou-o na na frente da porta do seu quarto. Comeu um pão e foi dormir. Descançou como poucas vezes na vida. Chegando a babar no travesseiro. É isso, quando alguem baba no travesseiro é que finalmente está dormindo em muita paz, ou simplesmente tem um nariz entupido. Mas nessa história era o sentimento de paz. Todo o arrependimento dele havia se esgotado, usou-o de inspiração para criar uma linda homenagem a mais uma das peças que a vida prega.
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